Anhangabaú


Associação dos Trabalhadores Sem Terra de São Paulo

 

 Nós começamos como todos os movimentos, indo até a Secretaria de Habitação do Estado, da Prefeitura, fazendo caravanas à Brasília, passeatas e manifestações.

Durante 3 anos, desde 1986, ficamos reivindicando dos órgãos públicos a solução para o problema da moradia, mas não tivemos vitória, só promessas de que o problema seria resolvido.

Cansamos de promessas e, a partir daí, começamos a pensar em outras alternativas e a discutir a possibilidade de comprar terrenos coletivamente. A primeira experiência nesse sentido foi para resolver o problema de 18 famílias que haviam sido despejadas, em seguida compramos uma área para 104 e outra para 180 famílias.


Fomos até a Prefeitura para obter financiamento e iniciamos o processo de mutirão em todas essas áreas, o que durou mais ou menos 1 ano, mas ainda não estava bom, já que o processo de construção em mutirão não resolveu o problema imediato das pessoas, nem satisfez os ideais que tínhamos nos proposto alcançar, que era o de construir casas através da participação e do companherismo.

O mutirão acabou sendo um processo muito demorado, tanto que muitos companheiros se sentiram desmotivados, o que nos fez amadurecer a idéia da auto-construção, onde cada pessoa constrói sua própria casa depois de um processo coletivo. Esse processo começa com a organização do grupo para a compra da área, até a discussão do projeto como um todos, cuja preocupação não seria apenas a de conquistar um lote para cada família, mas também garantir áreas coletivas para a implantação de equipamentos sociais, áreas de lazer e de preservação do meio ambiente.

Assim decidimos que a partir da próxima área a ser comprada, faríamos a experiência de construir por auto-construção.

Ao se comprar essa área, verifica-se quantos lotes cabem e divide-se o valor do terreno pelo número de lotes. A negociação da compra estaria a cargo da coordenação geral do movimento, que é formado por uma comissão que vai cuidar dos assuntos específicos daquela área comprada, sendo seus integrantes pessoas da própria área, que se dispõem a trabalhar voluntariamente. Os lotes são distribuídos por sorteio.


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