O COSMO E A REALIDADE PROVIDENCIAL. - Reuniões - Educar Para Vida
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O Cosmo e a Realidade Providencial

Reunião realizada em Maio de 2015

Tema:
O COSMO E A REALIDADE PROVIDENCIAL.

O ITINERÁRIO DO SENSO RELIGIOSO

    Dissemos que um individuo que tenha vivido pouco o impacto com a realidade, porque, por exemplo, teve pouco esforço a realizar, terá um escasso sentido da própria consciência e, por conseqüência, uma visão limitada da realidade. Somente um homem verdadeiramente empenhado com a vida, que leva a sério a busca pelo significado da sua existência, pode reconhecer na realidade a existência de uma Presença inexorável, e se dar conta de si próprio como parte desta realidade.  Percebe também que existe dentro dessa realidade uma ordem, que essa realidade é cósmica (do grego kosmos, que significa exatamente ordem).

    Kant revelou que o momento no qual lhe ocorria uma objeção a toda a sua “Crítica da razão pura”, onde negava que se pudesse partir da realidade para remontar a uma outra presença, era quando saía de casa e, erguendo a cabeça, contemplava o céu estrelado. (Cf. Kant, I., Crítica da razão pura. Tradução de Valério Rohden e Udo Baldur Moosburger.)

    Também no livro da Sabedoria encontramos uma bela referência à ordem e a beleza criadas por Deus:


São insensatos por natureza todos os que desconheceram a Deus, e, através dos bens visíveis, não souberam conhecer Aquele que é, nem reconhecer o Artista, considerando suas obras. Tomaram o fogo, ou o vento, ou o ar agitável, ou a esfera estrelada, ou a água impetuosa, ou os astros dos céus, por deuses, regentes do mundo. Se tomaram essas coisas por deuses, encantados pela sua beleza, saibam, então, quanto seu Senhor prevalece sobre elas, porque é o criador da beleza que fez estas coisas. Se o que os impressionou é a sua força e o seu poder, que eles compreendam, por meio delas, que seu criador é mais forte; pois é a partir da grandeza e da beleza das criaturas que, por analogia, se conhece o seu autor. (Sb 13,1-5)


Portanto, o maravilhamento original implica um senso de beleza, a atração pela beleza harmônica.

O homem não se dá somente conta de que essa presença inexorável é bela e atraente, é conforme a ele na sua ordem: constata também que ela se move segundo um desígnio que lhe pode ser favorável. Essa realidade faz o dia e a noite, a manhã e a tarde, o outono, o inverno, o verão, a primavera, estabelece os ciclos pelos quais o homem pode rejuvenescer, ganhar novas forças, sustentar-se, reproduzir-se.

O conteúdo das religiões mais antigas coincide com essa experiência de possibilidade da realidade “providencial”. O nexo com o divino tinha como conteúdo (em torno do qual se desenvolviam doutrinas e ritos) o fato desse mistério da fecundidade da terra e da mulher.

É isto que Deus insinua na Bíblia, em primeiro lugar, depois do dilúvio.


O Senhor respirou um agradável odor, e disse em seu coração: “Doravante, não mais amaldiçoarei a terra por causa do homem porque os pensamentos do seu coração são maus desde a sua juventude, e não ferirei mais todos os seres vivos, como o fiz.

Enquanto durar a terra, não mais cessarão a sementeira e a colheita, o frio e o calor, o verão e o inverno, o dia e a noite.” (Gn 8,21-22)


É o que também insinua São Paulo no seu discurso em Listra, na Ásia Menor, quando, tendo realizado um milagre, todo o povo, inclusive os sacerdotes do templo de Zeus, reuniram-se junto a ele e a Barnabé, tomando-o por Hermes (deus de menor estatura) e Barnabé (mais alto e forte) por Zeus; iam ao seu encontro com turíbulos e incenso, porque achavam que eles eram deuses que haviam chegado à cidade.


“Amigos, que estais fazendo? Nós também somos homens, passíveis da mesma sorte que vós, e vos anunciamos que deveis abandonar todos esses vãos ídolos para vos voltardes ao Deus vivo que fez o céu, a terra, o mar, e tudo o que eles contêm. Nas gerações passadas, permitiu a todas as nações seguirem o próprio caminho; no entanto, não deixou de dar testemunho de si mesmo por seus benefícios, dispensando do céu chuvas e estações férteis, saciando de alimento e felicidade os vossos corações...”(At 14,15-17)


Estes são os traços do discurso original de toda religião antiga: o senso do divino como providência.

Em nossa vida, na nossa experiência, se formos leais com a razão, encontraremos inúmeros momentos onde foi evidente a providência divina.


Olhando para sua experiência, quando você se deu conta da providência divina? Olhando para o passado, você consegue perceber que os acontecimentos tem uma ordem?

(Texto baseado no livro “Senso Religioso” de Luigi Giussani, Cap. X, Ed. Nova Fronteira, 2.000)


 

 

Música Tema da Reunião

 

Criação Divina
Autor:Zezé Di Camargo e Luciano

Deus criou o universo em harmonia
Fez o sol que dá calor aos nossos dias
Fez a lua pra servir de inspiração
E a chuva pra matar a sede do sertão

Fez o rio só pra se encontrar com o mar
Deu o dom a minha voz o meu cantar
Fez a árvore, o fruto e a flor
Fez o homem, a mulher e fez o amor

E fez você pra mim
Obra prima de um artista sonhador
Deus fez você pra mim
Criação divina que eu ganhei do criador

Deus criou pra cada um seu proprio dom
Junto com cada talento uma missão
Pra uns a força, a astucia, a fama e o poder
Pra outros deu a inquietude do saber

Da pedra fez o diamante, a prata, o ouro
E deu pra cada criatura um tesouro
Ele guardou a jóia de maior valor
Deu de presente pra esse humilde cantador

E fez você pra mim
Obra prima de um artista sonhador
Deus fez você pra mim
Criação divina que eu ganhei do criador

E fez você pra mim
Obra prima de um artista sonhador
Deus fez você pra mim
Criação divina que eu ganhei do criador
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