Realismo, caminho para a construção do eu - Reuniões - Educar Para Vida
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Realismo, caminho para a construção do eu

Reunião realizada em Março de 2015

Tema:
REALISMO, CAMINHO PARA A CONSTRUÇÃO DO EU

“Com efeito, a nossa é uma época de ideologias na qual, em vez de se aprender da realidade em todos os seus dados, construindo sobre ela, procura-se manipular a realidade segundo a coerência de um esquema fabricado pelo intelecto: assim, o triunfo das ideologias consagra a ruína da civilização”(Alex Carrel).

Esse trecho de Carrel é fundamental para entendermos como funciona o mecanismo do conhecimento: para uma investigação séria sobre qualquer acontecimento ou “coisa” é preciso realismo.

Também para a compreensão da vida, da nossa vida, de nós mesmos, é preciso partir da realidade e não das nossas idéias ou das idéias de quem quer que seja.

Então o que faremos para aprender sobre nossa própria vida? Estudaremos o que nos falam Aristóteles, Platão, Marx ou Engels? Podemos também fazer isto, mas privilegiar esse método é incorreto, porque não podemos abandonar-nos ao parecer de outros para entender a vida, a existência humana, absorvendo, por exemplo, as opiniões mais em voga ou as sensações que determinam o ar que respiramos.

O realismo exige que, para observar um objeto de modo tal que ele seja conhecido, o método não seja imaginado, pensado, organizado ou criado pelo sujeito, mas impostos pelo objeto. Assim para aprendermos sobre a vida precisamos partir dela.

Em se tratando, pois, de um fenômeno que se passa em mim, que interessa a minha consciência e ao meu eu como pessoa, é sobre mim mesmo que devo refletir. Faz-se necessária uma investigação sobre mim mesmo, uma investigação existencial.

Perguntamo-nos, então: qual é o critério que nos permite julgar aquilo que vemos acontecer em nós mesmos? Duas são as possibilidades: ou o critério com base no qual julgar o que vemos em nós é tomado fora de nós, ou é encontrado dentro de nós. No primeiro caso nos tornaremos alienados, pois julgaremos com o critério dos outros, seremos dependentes dos outros. Portanto é em nós que devemos encontrar o critério de julgamento da nossa própria vida. Mas, o fato de que esse critério seja imanente a nós – dentro de nós – não significa que nós no-lo demos sozinhos: ele é tirado da nossa natureza, quer dizer, é algo que nos é dado junto com a natureza (aqui a palavra “natureza”, evidentemente, esconde a palavra “Deus”, indício da origem última do nosso eu).

Todas as experiências da minha humanidade e da minha personalidade passam pelo crivo de uma “experiência original”, primordial, que constitui o meu rosto ao confrontar-me com tudo. Aquilo que cada homem tem o direito e o dever de aprender é a possibilidade e o habito de comparar cada proposta com esta sua “experiência elementar”.

Em que consiste esta experiência original, elementar? Trata-se de um conjunto de exigências e evidências as quais o homem é lançado no confronto com tudo o que existe. A natureza lança o homem na comparação universal consigo mesmo, com os outros e com as coisas, dotando-o – como instrumento de tal confronto universal – de um conjunto de evidências e exigências originais, tão originais que tudo o que o homem diz ou faz depende delas.

A elas podem ser dados muitos nomes, através de diversas expressões, como: exigência de felicidade, exigência de verdade, exigência de justiça, etc. Seja como for, são como uma centelha que põe em ação o motor humano; antes delas não ocorre nenhum movimento, nenhuma dinâmica humana. Qualquer afirmação de uma pessoa, desde a mais banal e quotidiana até a mais ponderada e plena de consequências, só pode ser feita tendo por base esse núcleo de evidências e exigências originais.

Porque, na verdade, o homem afirma verdadeiramente a si mesmo somente quando aceita o real; tanto é verdade que o homem começa a afirmar a si mesmo aceitando existir, isto é, aceitando uma realidade que não lhe foi dada por si mesmo. Diria então: quem quer tornar-se adulto, sem ser enganado, alienado, escravo de outros, instrumentalizado, deve se acostumar a comparar tudo com a experiência elementar.

O desafio mais audaz à mentalidade que nos domina e incide sobre nós em tudo – desde a vida do espírito até o vestuário – é tornar habitual em nós o juízo sobre tudo à luz das nossas evidências primeiras, e não à mercê de nossas reações ocasionais.

O uso da experiência elementar, ou do próprio “coração” é, portanto, impopular sobretudo quando estamos diante de nós mesmos, pois é justamente o “coração” a origem do indefinível incomodo do qual somos presa ao sermos, por exemplo, tratados apenas como objeto de interesse ou de prazer. A nossa exigência de homem ou de mulher revela-se diferente: é exigência de amor e é, infelizmente, muito fácil de ser alterada.

Comecemos a julgar: é o início da libertação. A recuperação do significado último da vida passa por esse trabalho constante de julgamento, capaz de nos indicar o que é certo ou errado, verdadeiro ou falso, justo ou injusto. Só julgando tudo, ouvindo o “coração”, poderemos construir um caminho que nos aproxime de Deus.

(texto baseado no livro “O Senso Religioso”, Luigi Giussani)

Música Tema da Reunião

 

Só os loucos sabem
Autor: Charlie Brown Jr.

Só os loucos sabem - Charlie Brown Jr.

Agora eu sei
Exatamente o que fazer
Bom recomeçar, poder contar com você
Pois eu me lembro de tudo, irmão
Eu estava lá também
O homem quando está em paz
Não quer guerra com ninguém

Eu segurei minhas lágrimas
Pois não queria demonstrar a emoção
Já que estava ali só pra observar
E aprender um pouco mais sobre a percepção

Eles dizem que é impossível encontrar o amor sem perder a razão
Mas pra quem tem pensamento forte o impossível é só questão de opinião

E disso os loucos sabem
Só os loucos sabem
Disso os loucos sabem
Só os loucos sabem

Toda a positividade eu desejo a você
Pois precisamos disso nos dias de luta
O medo cega os nossos sonhos
O medo cega os nossos sonhos

Menina linda, eu quero morar na sua rua
Você deixou saudade
Você deixou saudade
Quero te ver outra vez
Quero te ver outra vez
Você deixou saudade

Agora eu sei
Exatamente o que fazer
Bom recomeçar, poder contar com você
Pois eu me lembro de tudo, irmão
Eu estava lá também
O homem quando está em paz
Não quer guerra com ninguém

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