Senso religioso o ponto de partida - Reuniões - Educar Para Vida
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Senso religioso: o ponto de partida

Reunião realizada em Abril de 2015

Tema:
SENSO RELIGIOSO: O PONTO DE PARTIDA

Uma pessoa que leva a sério a própria vida carrega dentro de si perguntas que não podem ser apagadas: Qual o sentido da vida? Por que existe a dor e o sofrimento? O que existe depois da morte? A isso chamamos senso religioso.

É muito comum encontrarmos pessoas que nos dizem que essas são perguntas sem resposta e que, portanto, é melhor esquecê-las, sufocá-las, viver a vida como se elas não existissem. Mas quando eliminamos essas perguntas eliminamos parte de nós, da nossa própria constituição. Ademais, quem usa de forma plena a razão, precisa admitir que se existe a pergunta é porque existe uma resposta, mesmo que não possamos alcança-la.

O verdadeiro problema, no que concerne a busca da verdade sobre os significados últimos da vida, não é de uma certa inteligência que se faz necessária, ou o de um esforço especial, ou o de meios excepcionais para alcança-la. A verdade última é como encontrar uma linda coisa no nosso próprio caminho: só a vemos e reconhecemos se estivermos atentos. O problema, portanto, é essa atenção. Precisamos ter um olhar atento para com as coisas que acontecem em nossa vida e nos levam a fazer experiência desse sentido religioso.

Quanto mais alguém está comprometido com a vida, tanto mais percebe também em cada experiência os próprios fatores da vida. É como um aluno na sala de aula, quanto mais ele é comprometido, quanto mais estuda, mais aprende a matéria. Na vida não é diferente: quanto mais alguém é comprometido com a vida, com a vida por inteiro, na qual tudo está compreendido: amor, estudo, dinheiro, política, até a comida e o repouso, sem nada esquecer – nem a amizade, nem a esperança, nem o perdão, nem a raiva, nem a paciência, mais essa pessoa entende da vida e de seu significado último.

A vida é uma trama de acontecimentos e de encontros que provocam a consciência, produzindo nela problemas em variada medida. O problema nada mais é que a expressão dinâmica de uma reação diante de encontros. A vida é, portanto, uma trama de problemas, um tecido de eventos reativos aos encontros provocantes, pouco ou muito provocantes. O significado da vida – ou das coisas mais pertinentes e importantes da vida – é um ponto de chegada possível somente para quem leva a sério a vida, seus acontecimentos e encontros, isto é, para quem está comprometido com a problemática da vida.

Para enfrentar esses problemas que surgem nos encontros da vida recebemos instrumentos que nos permitem enfrentá-los. Um desses instrumentos, que considero fundamental, é a tradição. Cada um de nós nasce de uma tradição. A tradição é, pois, a complexa herança com a qual a natureza arma a nossa pessoa. Não porque devemos fossilizar-nos nela, mas porque temos de desenvolver – até o ponto de mudar, e profundamente – aquilo mesmo que nos foi dado.

Nós podemos dizer que a tradição é como a hipótese de trabalho com a qual a natureza nos coloca no grande canteiro de obras da vida e da história. Goethe dizia: “Aquilo que tu herdaste de teus pais, ganha-o novamente para possuí-lo”.

Um segundo aspecto fundamental do compromisso do eu para descobrir os fatores de que é constituído é o valor do presente. Quanto mais alguém abraça e vive no instante presente tudo aquilo que o precedeu e o circunda, tanto mais alguém é pessoa, é homem.

É no presente, no comprometimento com a vida, que o homem vai, passo a passo, encontrando respostas às perguntas da vida. Respostas que nunca são um ponto de chegada, mas sempre um novo ponto de partida que nos lançam cada vez mais adiante.

Somente a hipótese de Deus, somente a afirmação do mistério como realidade existente além da nossa capacidade de reconhecimento corresponde à estrutura original do homem.

“O mundo sem Deus seria uma fábula contada por um idiota num acesso de raiva” diz um personagem de Shakespeare, e nunca se definiu tão bem o tecido de uma sociedade atéia. A vida, então, seria “uma fábula”, um sonho estranho: discurso abstrato ou imaginação exasperada; “contada por um idiota”, portanto, sem capacidade de nexos, aos pedaços, sem uma ordem real, sem possibilidade de previsão; “num acesso de raiva”: em que a única metodologia de relacionamento é a violência, ou seja, a ilusão da posse.

(texto baseado no livro “O Senso Religioso”, Luigi Giussani, Ed. Nova Fronteira,2.000)

No que a tradição te ajudou e te ajuda a enfrentar os problemas da vida, do presente? O que você ensinaria de diferente para seus filhos, da tradição que recebeu?

 

Música Tema da Reunião

 

Tocando em frente
Autor:Almir Sater/Renato Teixeira

Ando devagar porque já tive pressa
e levo esse sorriso, porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei, eu nada sei
Conhecer as manhas e as manhãs,
o sabor das massas e das maçãs,
é preciso amor pra poder pulsar,
é preciso paz pra poder sorrir,
é preciso a chuva para florir.
Penso que cumprir a vida seja simplesmente
compreender a marcha,e ir tocando em frente
como um velho boiadeiro levando a boiada,
eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou,
estrada eu sou
Todo mundo ama um dia todo mundo chora,
Um dia a gente chega, no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história,
e cada ser em si, carrega o dom de ser capaz,
de ser feliz
Ando devagar porque já tive pressa
e levo esse sorriso porque já chorei demais
Cada um de nós compõe a sua história,
e cada ser em si, carrega o dom de ser capaz, de ser feliz.

 

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